MULHERES DE TERREIRO:

*Notas Biográficas

Mauricio dos Santos**

Anaxsuell Fernando da Silva***

Francisca Xavier Queiroz de Jesus é conhecida como Chica Xavier e nasceu em 22 de janeiro de 1936, em Salvador, Bahia. É atriz, dedicada ao teatro, cinema e televisão. Filha de Iansã, divindade dos ventos e do fogo, é também mãe de santo da Jurema, uma expressão religiosa afro-ameríndia brasileira, em seu terreiro Irmandade do Cercado do Boiadeiro, no Rio de Janeiro. É casada com o ator Clementino Kelé desde 1956 e foi precursora e insígnia de gerações de atores e atrizes negros. Estreou em 1956 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com Orfeu da Conceição, que marcou o início da parceria de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, com cenários de Oscar Niemeyer. Na Rede Globo de Televisão interpretou mais de cinquenta personagens e entre seus trabalhos estão, por exemplo, as novelas A cabana do Pai Tomás (1969); Tenda dos Milagres (1985); Dancin Days (1978); Sinhá Moça (1986); Força de um Desejo (1999) e A Lua me Disse (2005). Em 1999 escreveu o livro Chica Xavier canta sua prosa, que reuniu cantigas e preces para santos católicos e das religiões afro-brasileiras. Em 2011, foi homenageada com o Centro Cultural Atriz Chica Xavier, em Ramos, no Rio de Janeiro, e em 2013 Teresa Monteiro escreveu sua biografia, Chica Xavier: Mãe do Brasil. A importância da atuação de Chica Xavier para o povo de axé se dá, entre outros motivos, pela representatividade negra, de uma mãe de santo, na televisão e no teatro (MONTERO, 2013).

Conhecida como Odé Kayodé, o caçador que traz alegrias, Maria Stella de Azevedo Santos, conhecida como Mãe Stella de Oxóssi era filha do orixá-caçador da fauna e da fartura e nasceu em 02 de maio de 1925, em Santo Antônio de Jesus, na Bahia. Foi a quinta sacerdotiza do Ilê Axé Opó Afonjá em Salvador, que liderou entre 1976 e 2018, como sucessora de Mãe Ondina, que permaneceu no posto entre 1969 e 1975, após os reinados de Mãe Aninha, a grande fundadora; de Mãe Badá, entre 1939 e 1941 e de Mãe Senhora, entre 1942 e 1967. Mãe Stella era Doutora Honoris Causa pela Universidade do Estado da Bahia e Membra da Academia de Letras da Bahia. Instituiu a Escola Municipal Eugênia Anna Santos e o Museu Ilê Ohun Lailai. Mãe Stella divulgou as religiões afro-brasileiras por meio de seus livros, participou de espaços de discussão e decisão como liderança religiosa e como intelectual. Odé Kayodé foi uma Agbá, isto é, insígnia da ancestralidade afro-brasileira (SANTOS, 1993).

Maria Escolástica da Conceição Nazaré, que tem esse nome em homenagem à Nossa Senhora Escolástica, é conhecida no Brasil como Mãe Menininha do Gantois. Nasceu em Salvador em 1894 e era filha de Oxum, divindade da beleza, do amor, da fertilidade e da maternidade. Entre 1922 e 1986 foi a Iyálorixá do Ilê Iyá Omi Asé Iyamassê, o Terreiro do Gantois, tombado patrimônio em 2002, fundado instituído por sua antepassada, Maria Júlia da Conceição Nazaré. Entre 1930 e 1940, período em que as religiões afro-brasileiras padeciam com perseguição e violência policial na Bahia, Mãe Menininha consentiu que intelectuais, artistas, políticos e religiosos de outras denominações frequentassem o Terreiro do Gantois, contribuindo para a popularização das religiões afro-brasileiras. Gal Costa, Caetano Veloso e Maria Bethânia são alguns dos famosos filhos de santo de Mãe Menininha, apelidada de Mão da Doçura. Recebeu muitas homenagens, como a de Dorival Caymmi, que compôs em 1972 Oração de Mãe Menininha: “e a Oxum mais bonita, hein? / Tá no Gantois […] Ai, Minha Mãe / Minha Mãe Menininha […]”. Igualmente, a famosa canção É D´Oxum, composta por Gerônimo e Vevé Calazans em 1992, teve Mãe Menininha do Gantois como homenageada em seus versos: “nessa cidade todo mundo é d´Oxum / Homem, menino / Menina, mulher”. Jorge Amado, no livro Bahia de Todos os Santos (1945), escreveu que Mãe Menininha era a mãe do povo da Bahia e a mãe do povo do Brasil (NÓBREGA; ECHEVERRIA, 2006).

Olga Francisca Régis é conhecida como Olga do Alaketu, e seu nome religioso no candomblé é Oyá Funmi. Nasceu em 09 de setembro de 1925, em Salvador, e era descendente da família real Arô, do antigo reino de Ketu, no atual Benin, na África. Era filha de Iansã, divindade do vento, do fogo e das tempestades, e por 57 anos foi a mãe de santo do terreiro do Alaketu, o Ilê MarOyá Láji em Salvador, tombado em 2005. Contam os velhos que duas princesas gêmeas, ainda crianças, foram enclausuradas e escravizadas na Bahia durante a diáspora negra-africana. Uma dessas meninas era Iyá Gogorisá e a outra era Iyá Otampê Ojarô, que passou a se chamar Maria do Rosário Francisca Régis, e que após sua alforria teria voltado para à África e se casado com Babá Láji, com quem voltou para Salvador e fundou o Terreiro do Alaketu, o Ilê MarOyá Láji. A princesa africana Otampê Ojarô, ou Maria do Rosário Francisca Régis, era a tia-avó de Olga do Alaketu. Em 1997, Mãe Olga recebeu pelo então Presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, a Ordem do Mérito Cultural, uma condecoração outorgada pelo Ministério da Cultura a pessoas, grupos artísticos, iniciativas ou instituições a título de reconhecimento por suas contribuições à cultura brasileira (CASTILLO, 2011).

Beatriz Moreira Costa é conhecida como Mãe Beata de Iemanjá e nasceu em 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira, na Bahia. Era filha de Iemanjá, divindade das águas e mãe dos peixes, e de Exu, mensageiro e dono das encruzilhadas. Foi filha de santo de Mãe Olga do Alaketu no Ilê MarOyá Láji. Em 1969, separou-se de seu companheiro, saiu de Cachoeira e foi para o Rio de Janeiro, cidade na qual trabalhou como atriz e figurinista em novelas da Rede Globo de televisão até a sua aposentadoria. Em 20 de abril de 1985, Mãe Olga do Alaketu consagrou Mãe Beata de Iemanjá como mãe de santo do Ilê Omiojuarô, no Rio de Janeiro. Foi ativista pelos Direitos Humanos, em especial os direitos das mulheres negras, e escreveu os livros Caroço de Dendê, Sabedoria dos Terreiros (1997) e As histórias que minha avó contava (2005). Em 2006, Glória Cecília de Souza Filho escreveu a tese de doutorado em Educação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro Os Fios de Contos de Mãe Beata de Iemanjá: Mitologia Afro-brasileira e Educação. Mãe Beata também foi conselheira da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. Recebeu a Medalha de Mérito Cívico Afro-Brasileiro, conferida pela Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares de São Paulo. Em 2007, recebeu o Prêmio Bertha Lutz, que foi instituído pelo Senado Federal do Brasil para agraciar mulheres que tenham oferecido relevante contribuição na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos. Em 2017, receberia a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que é uma honraria concedida e destinada a premiar pessoas que prestaram relevantes serviços pela causa pública do Estado do Rio de Janeiro. Mãe Beata faleceu em 27 de maio de 2017, e a homenagem foi mantida e recebida por seus filhos (COSTA, 2002; 2004).

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído em 2007, homenageia Gildásia dos Santos, conhecida como Mãe Gilda, que foi a fundadora do Axé Abassá de Ogum, em Itapuã, na Bahia. Mãe Gilda teve sua imagem usada numa edição de 1999 da Folha Universal, uma publicação da Igreja Universal do Reino de Deus, ao lado da manchete Macumbeiros Charlatões Lesam a Bolsa e a Vida dos Clientes — O Mercado da Enganação Cresce no Brasil, mas o Procon Está de Olho. Esse fato, somado à invasão de seu terreiro por membros da Igreja Deus é Amor que tentaram exorcizá-la, levou a mãe de santo a decidir por mover uma ação judicial contra seus agressores e difamadores. Mãe Gilda faleceu em seguida, aos 65 anos, de um infarto fulminante em consequência desses acontecimentos, que conforme sua família a abalaram profundamente. Em 2004, a IURD e sua gráfica foram condenadas a indenizar a família de Mãe Gilda em R$1,372 milhões pelo uso indevido de sua imagem, sendo um real por cada exemplar do jornal publicado com a matéria difamatória. O caráter emblemático deste caso levou nesse mesmo ano a Câmara de Vereadores de Salvador a transformar a data de falecimento da mãe de santo, 21/01/2000, em Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa. Seu legado e luta têm continuidade com Mãe Jaciara, que atualmente organiza ebós coletivos em protestos contra o racismo religioso (SILVA, 2007).Giselle Cossard Binon é conhecida como Omindarewa e nasceu em 31 de maio de 1923, em Tanger, no Marrocos. Viveu por muitos anos na França, como alude sua biografia Omindarewa: Uma Francesa no Candomblé, escrita por Michel Dion, em 2002. Em 1939, durante a Segunda Guerra Mundial, Giselle viu seu pai ser preso pelo exército de Adolf Hitler e, no fim da guerra, em 1945, teria sido espiã em Paris, fornecendo informações aos militares franceses sobre a localização de militares alemães. Em 1945 seu pai voltou da prisão e Giselle casou-se com Jean Binon, com quem passou oito anos na África. Em 1956, voltaram para França e Jean Binon foi nomeado Embaixador da França no Brasil. Omindarewa, assim como seus filhos, encantaram-se com o Rio de Janeiro e com o país. Mas, contrariamente e conflituosamente, Jean Binon detestava o Brasil e os brasileiros. Em 5 de dezembro de 1959, Giselle Cossard Binon visitou o terreiro de Joãozinho da Goméia, no Rio de Janeiro, onde bolou no santo, isto é, recebeu em transe pela primeira vez sua divindade, Iemanjá, que é mãe das águas e dos peixes. Após passar pelas cerimônias de iniciação afro-brasileiras, recebeu seu nome religioso de Omindarewa, que podemos traduzir como “água límpida”. Jean Binon em 1963 pediu divórcio a Giselle, e no mesmo ano Omindarewa voltou para França, para apresentar sua tese Contribution l’Étude des Candomblés du Brésil: Le Rite Angola em Paris, e lá tornou-se docente universitária. Conheceu o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger, do qual tornou-se amiga. Em 1972, voltou para o Brasil e em 1973 sofreu um acidente de carro e foi diagnosticada sem esperança de vida. Pierre Verger levou Omindarewa até Pai Balbino Daniel de Paula, Balbino de Xangô Obaraí, iniciado no Terreiro do Opô Afonjá, que ajudou a filha de Joãozinho. Pai Obaraí tornou-se o segundo pai de santo de Omindarewa, passando a cuidar de suas obrigações religiosas. Ao receber seus direitos de sacerdotisa, fundou o Ilê Axé Atará Magba, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Em 2005, participou do documentário A cidade das mulheres, e em 2009 do documentário Gisele Omindarewa, que trata sobre sua biografia. Faleceu em 2016 (DION, 2002; COSSARD, 2008).

*Originalmente publicado pela Revista Calundu, disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/revistacalundu/article/view/34579/28492

** Universidade Federal da Integração Latino-Americana

***Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Imagem: Autoria desconhecida.

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